Mamadou Ba (SOS Racismo) sobre racismo em Portugal e PER [Notícias ao Minuto]

Mamadou Ba, dirigente da associação SOS Racismo, numa longa entrevista com Notícias ao Minuto denuncia o racismo estrutural existente em Portugal e a sua falta de reconhecimento público e político.

Numa passagem da entrevista, Ba comenta as demolições no Bairro 6 de Maio, na Amadora, e os problemas do PER:

Um programa que tem mais de 20 anos precisa não só de ser atualizado como também de se perceber em que contexto foi feito. A maior parte dos imigrantes que viviam nessas zonas estavam em situação irregular, portanto, uma parte substancial dessas pessoas não tinha uma relação saudável com os mecanismos do próprio Estado. Algumas destas pessoas foram afastadas pelo seu próprio estatuto jurídico, ou porque tinham dificuldade em aceder a esses mecanismos ou porque tinham receio de sofrer consequências do seu próprio estatuto se se viessem a declarar ao Estado. Essas variáveis nunca foram tidas em conta no PEC [sic], o que é um erro grosseiro e que resultou na exclusão de milhares de pessoas.

Vihls no 6 de Maio (Joana Gorjão Henriques, Público)

Ondina vive há 18 anos no bairro 6 de Maio, um dos que a Câmara Municipal da Amadora (CMA) está a demolir, seguindo o Programa Especial de Realojamento (PER) para erradicar as barracas nas áreas metropolitanas de Lisboa e Porto. O objectivo do PER, feito em 1993, é dar apoio financeiro às famílias para construção ou aquisição de habitações mas está a seguir um recenseamento com mais de 23 anos. As demolições são frequentes no 6 de Maio há anos, e mais sistemáticas desde 2015. Muitos que não estão no PER se queixaram de terem sido despejados sem que lhes fosse dada alternativa a longo prazo, pois a ajuda apresentada era um mês de renda ou um abrigo da Segurança Social no qual poderiam ficar temporariamente.

 

Uma nova reportagem da Joana Gorjão Henriques no Público volta a chamar atenção para os limites do PER e o processo de despejo no Bairro 6 de Maio, na Amadora, no seguimento duma intervenção do graffiter Vihls (Alexandre Farto).